sexta-feira, 8 de julho de 2016

Fim?

Marisa> Barco negro.

Jose mario Branco FMI

Dili celebra vitoria de Portugal. Aqui.

Lisboa que amanhece. https://www.youtube.com/watch?v=xpFASRclZpc

rquivopessoa.net. Aqui.  

Caeteano. Navegar e prerciso.  Aqui.

Do rqacismo> A idade de Renato Sanches. DN. 

Sotaques. Rabo de peixe> futebol

Alcunhas alentejanas. Aqui.

Moce mo. Aqui.

A ceia dos cardeais. Aqui.

 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

terça-feira, 5 de julho de 2016

Uma poesia romantica

Não te Amo

Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n 'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.
ALMEIDA GARRETT, Folhas Caídas

Fernando Pessoa

Todos os poemas de Fernando Pessoa aqui: arquivopessoa.net

O homem dos heteronimos.


O mapa cor de rosa. O ultimato ingles de 1890. Aqui.

Portugal nao e uum pais pequeno! O mapa megalomano da ditadura. Aqui.

Duas historias. Chloe e Mac.   




O poema parece errado mas da’ certo

1 + 1 = 1

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Boa viagem

O que vou cobrar?
Sexta 1: texto em aula inspirado em filme.

Sábado 9: artigo ou história - mínimo 3500 caracteres.

1. 27 junho: Lisboa. Uma cidade com mil anos.
2. 28: Vai trabalhar, vagabundo. «Não se pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer por seu país.» Verdade? E se um dos lados da equação hipertrofiar?
3. 29: Quais são os meus verdadeiros valores? Eu sou o que penso que sou? «Eu sou boa pessoa! Eu não sou sexista! Racista!» O discurso de Miguel Vale de Almeida no parlamento em 8 de janeiro de 2010. Milagre: não houve protestos nem vaias da oposição à lei.
4. 30. Fado, Fátima, futebol. Um país conservador ou um país moderno?
5. 1 julho. Hotel Lusitano. Da revolução de Abril. Contradições de um império colonial. Exercício na aula.

6. Cultura - é o quê? Festas, hábitos, comida. O fado é a música portuguesa? A saudade é uma coisa só portuguesa ou brasileira ou caboverdiana ou angolana ou santomense ou guineense ou moçambicana ou goesa ou macaense ou timorense? Não, claro que não. Não se trata de genética, mas de cultura. A cultura cristaliza ideias em "coisas".
7. Os diferentes sotaques de Portugal. Açores. Madeira. Porto. Alentejo.O Dia da Dúvida!!!
8.
9.
10.

Entregar o trabalho final: até domingo. Valeu? 

Poema de Sophia - No fundo do mar


No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Crónica de um domingo - António Lobo Antunes

[Século XX, algures nos anos 90]

Aos domingos a seguir ao almoço visto o fato de treino roxo e verde e os sapatos de ténis azuis, a Fernanda veste o fato de treino roxo e verde e os sapatos de salto alto do casamento, subo o fecho éclair até ao pescoço e ponho o fio de ouro com a medalha por fora, a Fernanda sobe o fecho éclair até ao pescoço e põe os dois fios de ouro com a medalha e o colar da madrinha por fora, tiramos o Roberto Carlos do berço, metemos-lhe o laço de cetim branco na cabeça, saímos de Alverca, apanhamos os meus sogros em Santa Iria de Azóia e passamos o domingo no Centro Comercial.

A Fernanda senta-se atrás no Seat Ibiza, com o menino e a Dona Cinda, o senhor Borges ocupa o lugar ao meu lado, de Record no sovaco, fato completo, gravata de flores prateadas e chapéu tirolês, ajuda-me no estacionamento das Amoreiras a tirar o carrinho da mala e todos os automóveis do parque são Seat Ibiza, todos têm mantas alentejanas nos bancos, todos apresentam um autocolante no vidro que diz: Não me siga que eu ando perdido, todos possuem uma rodela Vida Curta no guarda-lamas direito e uma rodela Vida Longa no guarda-lamas esquerdo, de todos os espelhos retrovisores se pendura o mesmo boneco de peluche, todos exibem junto à matricula com o circulo de estrelinhas da Europa a mesma rapariga de Stetson e cabelo comprido, todos trouxeram o Record, os sogros e o filho, todos devem habitar em Alverca e todos circulam a tarde inteira no Centro de forma idêntica à nossa: adiante a Fernanda e a Dona Cinda, de raposas acrílicas, a coxear por causa de uma unha encravada, empurrando o Roberto Carlos que esperneia, desfeito num berreiro, com a chupeta pendurada na nuca por uma corrente, e o Senhor Borges e eu vinte metros atrás, preocupados com a carreira do Olivais e Moscavide que perdeu em Alhandra apesar de ter comprado um avançado cabo-verdiano ao Arrentela e que em vez de jogar à bola leva as noites a mariscar tremoços na cervejaria, de brinco na orelha, no meio dos amigos pretos, com o tampo da mesa coberto de canecas vazias.

Como a Fernanda e a Dona Cinda param em todas as montras de móveis e boutiques a bisbilhotarem quinanes e kispos, acontece enganar-me e trocá-las por outra sogra acrílica, outra mulher roxa e verde e outra criança de laço, e sucede-me passar horas num banco, sem dar pela diferença, com uma Fátima e uma Dona Beta, a planear as prestações de um microondas e de um frigorífico novo, seguir para Alverca, jantar o frango da Casa de Pasto e a garrafa de Sagres do costume, e só na terça-feira, quando vou a sair para a Junta, a minha esposa informa, envergonhada, que mora em Loures ou na Bobadela, o Roberto Carlos se chama Bruno Miguel, e deu pelo engano, há cinco minutos, porque a minha Última Ceia é de estanho e a dela é de bronze. Claro que corrigimos o erro no domingo seguinte, em que volto para casa com uma Celeste e um Marco Paulo no Seat, a que juntei (será o meu Seat Ibiza?) um autocolante que deseja: espero não te conhecer por acidente.

Esta semana a minha mulher chama-se Milá, o meu filho Jorge Fernando e ando a pagar um apartamento em Rio de Mouro. Como esta sempre cozinha melhor que as outras não faço tenções de voltar às Amoreiras. Se ela gostar de telenovelas só tornamos a sair daqui a muitos anos, quando o miúdo usar um fato de treino roxo e verde, e eu encontrar no armário do quarto um casaco de raposas acrílicas e um chapéu tirolês, e escutar lá em baixo a seguir ao almoço, a buzina do Seat Ibiza da minha nora. Como nessa altura devo andar a dieta de sal por causa da tensão qualquer peixe grelhado me serve.